Capitanias

Capitanias

17MAR
capitanias hereditarias mapa

Mapa das Capitanias Hereditárias do Brasil, criado pelo cartógrafo português Luís Teixeira, em 1586

As capitanias foram uma forma de administração territorial do Império Português pela qual a Coroa, com recursos limitados, delegou a tarefa de colonização e exploração de determinadas áreas a particulares, através da doação de lotes de terra.

No Brasil este sistema ficou conhecido como Capitanias Hereditárias, tendo vigorado, sob diversas formas, durante o período colonial, do início do século XVI até ao século XVIII, quando o sistema de hereditariedade foi extinto pelo Marquês de Pombal, em 1759 (a hereditariedade foi abolida, mas a denominação capitania não).

O sistema de capitanias foi inicialmente implantado no Brasil com a doação da Ilha de São João (atual ilha deFernando de Noronha), por Carta Régia de Dom Manuel I, datada de 16 de Fevereiro de 1504, que doou aFernando de Noronha, arrendatário do contrato de exploração do pau-brasil, constituindo a capitania de São João, sem qualquer efeito na prática, uma vez que não há notícia de sua colonização à época.

Entre 1534 e 1536, para incentivar ocupação do Brasil, que estava dominado pelo tráfico de pau-brasil e outros gêneros por corsários estrangeiros, principalmente franceses, Dom João III doou quinze capitanias na costa do Brasil.

O sistema que o rei adotou em 1534 foi o da divisão do litoral entre o rio Amazonas e São Vicente em doze capitanias hereditárias de extensão limitada, no sentido da latitude, variando entre trinta e cem léguas, com extensão para o interior limitada pelo do Tratado de Tordesilhas.

As quatro capitanias setentrionais situadas entre Paraíba do Norte e o Amazonas, não foram ocupadas durante o século XVI, ainda que os donatários, a quem haviam sido distribuídas tivessem tentado, em vão, fazê-lo.

Das oito restantes, apenas Pernambuco, no Nordeste, e São Vicente, na extremidade setentrional, conseguiram vencer os “problemas de dentição” dos primeiros tempos, e tornaram-se centros de crescimento populacional e econômico relativamente importantes.

As demais, ou foram abandonadas em consequências de ataques indígenas ou vegetaram numa obscuridade total, com pequeno número de colonos que mantinham uma posição precária em locais isolados da faixa litorânea.

Capitania de São Tomé

Capitanias hereditarias

Localização atual da cidade de Santa Rosa de Viterbo nos tempos das capitanias hereditárias

A região onde está a cidade de Santa Rosa de Viterbo pertência, na época das capitanias, à Capitania de São Tomé, também conhecida como Capitania do Paraíba do Sul.

Criada em 1536 como uma das quinze parcelas do território brasileiro entregues pelo rei de Portugal, Dom João III de Portugal, a donatários em regime de hereditariedade, foi doada ao capitão-mor Pero de Góis(Pero de Góis da Silveira).

capitania compreendida ao território entre as atuais cidades de Itapemirim (Espírito Santo) e Macaé (Rio de Janeiro). Basicamente formada pelo sul do capixaba e norte fluminense (baixo Paraíba).

Pero de Góis fundou uma vila, a Vila da Rainha (atual cidade de Barra do Itabapoana, no Rio de Janeiro) e começou um incipiente cultivo de cana-de-açúcar, sendo considerado um dos primeiros a plantar cana no país.

Mas a colonização foi muito hostilizada pelas populações indígenas. Pero de Góis retornou a Portugal para pedir novos recursos ao rei para colonizar a capitania, mas ao voltar à Vila da Rainha, depara-se com os índios em guerra com os colonos. Pero de Góis se feriu e perdeu um olho na batalha e os colonos que sobreviveram fugiram de volta pra Portugal.

O território ficaria praticamente abandonado até que em 1619, a capitania foi renunciada a favor da Coroa portuguesa e posteriormente absorvida pela Capitania do Rio de Janeiro.

Capitania Real do Rio de Janeiro

capitanias hereditarias sec. XVII

Capitanias Hereditárias do Brasil durante do século XVII

Capitania Real do Rio de Janeiro foi formada em 1567 pela secção mais setentrional da Capitania de São Vicente, que tinha como limites pontos litorâneos hoje ocupados pela cidade de Macaé (Rio de Janeiro), ao norte, e Caraguatatuba (São Paulo), ao sul.

Esta parcela mais ao norte da Capitania de São Vicente havia sido abandonada por seu donatário Martim Afonso de Sousa, que nunca se interessou em seu povoamento. Por não ter sido ocupada por portugueses, a região da baía de Guanabara sofreu uma tentativa de colonização por parte dos franceses, entre 1555 e 1567, a chamada França Antártica.

Com a primeira fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, tendo como primeiro mandatário Estácio de Sá (1565-1567). Em 1619, a Capitania de São Tomé foi renunciada em favor da Coroa portuguesa e teve boa parte do seu território, que ia da região da atual cidade fluminense de Macaé até Itapemirim, no Espírito Santo, incorporado ao da Capitania do Real Rio de Janeiro.

Em 3 de novembro de 1709, em consequência da Guerra dos Emboabas (entre 1707 e 1709) da fragilidade do controle de Coroa Portuguesa sobre a região das recém-descobertas minas de ouro na parte sul da Colônia do Brasil, a antiga Capitania de São Vicente absorveu terras do interior da Capitania do Rio de Janeiro, onde está o território do atual município de Santa Rosa de Viterbo, e foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.

Capitania de São Paulo e Minas de Ouro

capitanias hereditarias sec. XVIII

Capitanias Hereditárias do Brasil no início do século XVIII

Capitania de São Paulo e Minas de Ouro foi criada em 3 de novembro de 1709, com terras separada da Capitania Real do Rio de Janeiro, onde formou a antiga Capitania de São Vicente,

O primeiro governador da nova capitania, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, que posteriormente, dividiu a capitania em três Comarcas: Ouro Preto, com sede em Vila Rica (atual cidade mineira de Ouro Preto); Rio das Velhas, com sede na Vila de Nossa Senhora de Sabará (atual cidade mineira de Sabará); e Rio das Mortes, com sede em São João del-Rei.

A partir de cerca de 1725 foram descobertos minas de diamantes na região, consolidando a capitania como a principal economia da colônia à época, suplantando a da Região Nordeste do Brasil.

Pela ação desbravadora dos bandeirantes a nova capitania expandiu seus limites por terras do interior, ultrapassando os limites do Tratado de Tordesilhas, formando um vasto território que abrangia os sertões dos atuais estados de São PauloParaná Santa Catarina, para o sul, e de Minas GeraisGoiás e Mato Grossopara oeste.

Como consequência da Revolta de Vila Rica, em 2 de dezembro de 1720, D. João V desmembrou a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, instituindo a Capitania das Minas Gerais e a Capitania de São Paulo, onde estava o atual território do município de Santa Rosa de Viterbo.

Capitania Real de São Paulo

capitanias hereditarias sec. XIX

Capitanias Hereditárias do Brasil no início do século XIX

Capitania Real de São Paulo foi criada em 2 de dezembro de 1720 por D. João V, a partir da cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.

A divisa de Minas Gerais com São Paulo, em 1720, ficou sendo Rio Sapucaí, o Rio Grande e deste subindo a Serra da Canastra até o Rio Paranaíba. O primeiro governador da nova Capitania Real de São Paulo foi Rodrigo César de Meneses que a instalou e a organizou.

Permaneceram, após 1720, como parte da Capitania Real de São Paulo, os territórios correspondentes aos atuais estados de São PauloMato Grosso do SulMato GrossoRondôniaGoiásTocantinsParanáSanta Catarina e Rio Grande do Sul e ao atual Distrito Federal, além do sul de Minas Geraise do Triângulo Mineiro. Em 1721 foi anexada à capitania a vila de Paraty, que em 1727, foi incorporada à Capitania do Rio de Janeiro.

A parte mais meridional da Capitania Real de São Paulo foi desmembrada, entre 1738 e 1742, para se criar a Capitania de Santa Catarina e a Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro, que daria origem, posteriormente, à Capitania de São Pedro do Rio Grande.

Porém, parte do atual Estado de Santa Catarina continuou pertencendo a São Paulo, até 1820, quando D. João VI, por alvará de 9 de setembro, transfere a vila de Lages, criada em 1766, para a Capitania de Santa Catarina.

Em 9 de maio de 1748, foram criadas a Capitania de Goiás, a qual o atual Triângulo Mineiro ficou pertencendo, e a Capitania de Mato Grosso, desmembradas da Capitania Real de São Paulo. Neste mesmo ano, a Capitania Real de São Paulo passa a ficar subordinada à Capitania Real do Rio de Janeiro.

Em 24 de setembro de 1764, a Capitania das Minas Gerais anexa a margem esquerda do Rio Sapucaí,aproximadamente até a divisa atual com o estado de São Paulo.

Em 1765 a Capitania Real de São Paulo recuperou sua autonomia. Em 28 de fevereiro de 1821, um pouco mais de um ano antes da declaração de independência, no dia em que D. João VI jurou obedecer as leis portuguesas, as capitanias foram abolidas e se tornaram províncias. Então foi criada a Província de São Paulo, onde Santa Rosa de Viterbo se formaria.

 

Apresentação

Clique para visualizar a versão original do Atlas Histórico

O atual Atlas Histórico é resultado de uma ampla atualização e modernização do “Atlas Histórico. Brasil 500 anos”, publicado em 1998 em formato de fascículos encartados na revista Isto É e em CD Rom, de autoria de Bernardo Joffily. A nova versão foi produzida em uma parceria entre Bernardo Joffily, responsável pela atualização e criação de novos mapas, Mariana Joffily, historiadora, idealizadora do projeto e uma equipe de pesquisadores, técnicos e assistentes do CPDOC, que também coordenou os trabalhos de atualização da obra ora apresentada. Participaram os bolsistas André Zuzarte, Cíntia Carli, Matias López, Mateus Donato e Monique Lirgiê Pinheiro Ferreira.

O projeto, que contou com o decisivo apoio da Finep, surgiu da ideia de oferecer aos professores de história uma versão das imagens do Atlas original que pudesse ser utilizada como instrumento de ensino em sala de aula, aliando a localização geográfica de acontecimentos históricos com documentos originais e outros recursos disponíveis no acervo do CPDOC, como os verbetes do Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro.

O Atlas abrange um longo período histórico, que vai desde antes do “descobrimento” do Brasil até os dias de hoje. Esta nova edição foi enriquecida com conteúdos textuais, fotográficos, sonoros e audiovisuais identificados, principalmente, no acervo histórico do próprio CPDOC, embora inclua também documentos localizados em outras instituições. Além do acervo histórico de CPDOC, levantaram-se dados no IBGE, no IPEA, na FUNAI e em outras instituições, visando à obtenção de elementos para enriquecer os dados, gráficos e mapas apresentados no Atlas.

Paralelamente, a equipe do CPDOC elaborou os textos que acompanham cada capítulo. Eles passaram por uma revisão e por uma atualização, de modo a torná-los mais adequados ao novo formato. Assim, incluíram-se novos textos, imagens e documentos históricos. Cabe lembrar, que dentro desses recortes cronológicos, foram articulados e escritos textos sobre diversos temas. Um trabalho desse porte evidentemente não é isento de falhas ou omissões. Contamos com a colaboração dos visitantes para aperfeiçoá-lo.

Esperamos, com a disponibilização deste Atlas Histórico, colocar à disposição do público em geral um instrumento que seja útil à realização de trabalhos escolares ou acadêmicos, ou que mesmo estimule a curiosidade e a vontade de conhecimento a respeito da história do Brasil.

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