{"id":1082,"date":"2019-08-08T23:09:51","date_gmt":"2019-08-09T03:09:51","guid":{"rendered":"http:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/?p=1082"},"modified":"2022-12-05T08:25:45","modified_gmt":"2022-12-05T12:25:45","slug":"o-conforto-da-luz-eletrica-a-hidraulica-do-porto-e-hidroeletrica-do-rio-da-casca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/2019\/08\/08\/o-conforto-da-luz-eletrica-a-hidraulica-do-porto-e-hidroeletrica-do-rio-da-casca\/","title":{"rendered":"O CONFORTO DA LUZ EL\u00c9TRICA:                            A HIDR\u00c1ULICA DO PORTO E A HIDROELETRICA DO RIO DA CASCA"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Casca1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"259\" height=\"194\" src=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Casca1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43\"\/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n<p>O ano de 1919 seria uma data crucial na mem\u00f3ria dos cuiabanos. Sua cidade, a capital de todos os matogrossenses, faria 200 anos. Para a intelectualidade local aquela oportunidade mostravase \u00edmpar para construir signos e reafirmar a identidade de seu povo. Alguns dos preparativos deveriam ser pensados com muita anteced\u00eancia. Entre outros, prover a cidade de um sistema energia hidroel\u00e9trica. Assim, entre 1915\/16, no governo do General Manuel Faria de Albuquerque, o tema foi retomado com for\u00e7a. Foi dada concess\u00e3o, com privil\u00e9gio de explora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os por 30 anos, a Jo\u00e3o Pedro Dias. A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 740 de 24 de julho de 1916 autorizava ao concession\u00e1rio o aproveitamento de uma das quedas do rio da Casca ou do Aric\u00e1-Mirim, para instala\u00e7\u00e3o de uma usina geradora el\u00e9trica e facultava a ocupa\u00e7\u00e3o, durante o prazo do privil\u00e9gio, dos terrenos municipais ou devolutos que forem necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es, galp\u00f5es, estradas, etc. (Mendon\u00e7a: 1973\/74). Tr\u00eas anos se passaram.<\/p>\n<p>Na abertura do ano legislativo de 1919, o Bispo Dom Aquino Corr\u00eaa, ent\u00e3o h\u00e1 um ano na presid\u00eancia do Estado, lamentava que a cidade ainda padecesse da aus\u00eancia de servi\u00e7os de ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e denunciava as falhas do sistema de ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s. Ao mesmo tempo lembrava a demora do concession\u00e1rio Jo\u00e3o Pedro Dias em implementar a gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. Na oportunidade, rememorava as cl\u00e1usulas do contrato assinado em 1916 e advertia para a necessidade de cumprimento do mesmo. O discurso proferido por Dom Aquino deixa entrever que j\u00e1 estavam adiantados os servi\u00e7os, que eram feitos em car\u00e1ter emergencial, por dificuldade de importar maquin\u00e1rios e equipamentos necess\u00e1rios para a implanta\u00e7\u00e3o daquela que seria a primeira usina hidroel\u00e9trica de Mato Grosso (Mensagem \u00e0 Assembleia Legislativa: 1920).<\/p>\n<p>Quando da assinatura do termo de concess\u00e3o entre Jo\u00e3o Pedro Dias e o Estado de Mato Grosso, em 1916, havia um acontecimento dram\u00e1tico que impedia a importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, qual seja: entre 1914 e 1918 a Europa vivia a experi\u00eancia fat\u00eddica da I Guerra Mundial. Os pa\u00edses do mundo Ocidental que, desde a abertura da navega\u00e7\u00e3o do rio Paraguai, haviam fornecido maquin\u00e1rio para Mato Grosso, Inglaterra e Alemanha, estavam em guerra. Na tentativa de solucionar tal problema, Jo\u00e3o Pedro Dias foi buscar uma sa\u00edda no Rio de Janeiro onde s\u00f3 foi poss\u00edvel adquirir equipamentos para montar uma termoel\u00e9trica e n\u00e3o a t\u00e3o almejada hidroel\u00e9trica. O sonho de constru\u00e7\u00e3o da usina hidroel\u00e9trica no rio da Casca foi alimentado at\u00e9 o \u00faltimo momento.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano de 1919, Dom Aquino Corr\u00eaa ainda nutria esperan\u00e7as e argumentava em sua Mensagem Presidencial: Caso os machinismos para a installa\u00e7\u00e3o da usina no rio da Casca cheguem em tempo, o Governo auxiliar\u00e1 na &#8230; Urgia o tempo e as autoridades de Mato Grosso pressionavam Jo\u00e3o Pedro Dias a dotar a cidade de luz el\u00e9trica at\u00e9 o dia 08 de abril de 1919. Afinal, seria uma grande jogada pol\u00edtica para o presidente do Estado, o Bispo Dom Aquino Corr\u00eaa, ser o governante que, finalmente, tiraria a cidade das trevas quando a mesma completava 200 anos.<\/p>\n<p>Mas a tarefa n\u00e3o era nada f\u00e1cil! Como n\u00e3o havia modo de importar m\u00e1quinas e equipamentos o jeito foi comprar uma usina termoel\u00e9trica usada no Rio de Janeiro. Transport\u00e1-la at\u00e9 Cuiab\u00e1 foi outra epopeia. Se de fato a viagem demorou apenas um m\u00eas \u00e9 poss\u00edvel que o trajeto percorrido tenha sido o mais r\u00e1pido \u00e0 \u00e9poca: do Rio de Janeiro ao porto de Santos o transporte foi de navio. Subiram a Serra do Mar em trens de ferro at\u00e9 Jundia\u00ed ou Bauru e, dali, pelos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, alcan\u00e7aram as barrancas do rio Paraguai em Porto Esperan\u00e7a, passaram para um vapor e subiram os rios Paraguai, S\u00e3o Louren\u00e7o e Cuiab\u00e1 at\u00e9 a capital dos mato-grossenses.<\/p>\n<p>Vencidas as dificuldades de transportes era preciso instalar o equipamento e faz\u00ea-lo funcionar no prazo exigido. A \u2018Casa de For\u00e7a\u2019 foi montada \u00e0s margens do rio Cuiab\u00e1 no pr\u00e9dio da velha hidr\u00e1ulica que abastecia a cidade de \u00e1gua. A partir de uma caldeira movida \u00e0 lenha movimenta-se todo o maquinismo que gerava 125 KVA de energia a ser distribu\u00edda pela cidade. Ficava o concession\u00e1rio obrigado a substituir essa instala\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria pela definitiva, t\u00e3o logo as condi\u00e7\u00f5es de mercado permitissem. Mas para levar a energia da caldeira at\u00e9 as ruas e aos lares cuiabanos era preciso uma rede de distribui\u00e7\u00e3o. Para tanto cuidou-se da instala\u00e7\u00e3o dos postes. O projeto original previa-os de ferro, mas, como tudo era provis\u00f3rio, acabou-se por aceit\u00e1-los de madeira de lei, desde que pintados. Apesar de todas as press\u00f5es que sofreu, n\u00e3o foi poss\u00edvel a Jo\u00e3o Pedro Dias inaugurar o novo sistema de ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de Cuiab\u00e1 no dia em que a cidade comemorava seus anivers\u00e1rio de 200 anos de funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa falta, talvez involunt\u00e1ria, a ele traria s\u00e9rios problemas pol\u00edticos. Para complicar sua situa\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Pedro Dias foi um dos introdutores do protestantismo em Cuiab\u00e1. Bem, num estado governado por um Bispo, o n\u00e3o cumprimento de um prazo, revestido de aura pol\u00edtica, por um protestante, foi um prato cheio de desgostos e sobre ele pairava a suspeita de ter agido, literalmente, de m\u00e1 f\u00e9.<\/p>\n<p>De qualquer modo, a 15 de agosto de 1919, foi inaugurada solenemente a nova ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Cuiab\u00e1. De in\u00edcio era composta de 119 combustores el\u00e9tricos que, at\u00e9 o final daquele ano, foram aumentados para 390 l\u00e2mpadas. Provis\u00f3rio, o sistema, em poucos meses alcan\u00e7ou seu limite de carga instalado. Apesar dos esfor\u00e7os, a demanda por energia continuava maior que a oferta e a ideia da constru\u00e7\u00e3o de uma hidroel\u00e9trica era alimentada pelo governo e ansiada pelo povo.<\/p>\n<p>Por motivos que n\u00e3o se sabe, finda a guerra na Europa, Jo\u00e3o Pedro Dias, n\u00e3o deu continuidade ao projeto de importa\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rios e de constru\u00e7\u00e3o da projetada hidroel\u00e9trica no rio da Casca.<\/p>\n<p>Em maio de 1923 o presidente do estado, Pedro Celestino, reclamava que os servi\u00e7os de gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia continuavam prec\u00e1rios em Cuiab\u00e1, mas mesmo assim havia renovado, em janeiro daquele ano, os direitos de concess\u00e3o atribu\u00eddos a Jo\u00e3o Pedro Dias.<\/p>\n<p>Na foto percebe-se duas formas de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Do lado direito e \ufb01xado na parede de uma resid\u00eancia est\u00e1 um combustor a g\u00e1s. Do lado esquerdo, um poste de madeira com sua l\u00e2mpada el\u00e9trica que seria alimentada pela energia gerada pela usina Hidr\u00e1ulica do Porto \u2013 na data da foto (08 de abril de 1919), ainda n\u00e3o inaugurada.<\/p>\n<p>Mais para o final do ano, Pedro Celestino, argumentando que o concession\u00e1rio dos servi\u00e7os em pouco cumprira o que rezava no contrato, resolveu rescindi-lo. Entretanto, sabendo que os moradores n\u00e3o mais aceitariam ficar \u00e0s escuras, chamou o problema para a esfera do governo estadual e tomou duas medidas: primeiro comprou de Jo\u00e3o Pedro Dias todo o equipamento existente na termoel\u00e9trica pelo valor de trezentos contos de r\u00e9is (duzentos e setenta em dinheiro e setenta e quatro em ap\u00f3lices). Com esse ato incorporava a Usina T\u00e9rmica, mais conhecida como Hidr\u00e1ulica do Porto, n\u00e3o ao patrim\u00f4nio p\u00fablico do estado mas, ao municipal (APMT, Mensagem \u00e0 Assembleia Legislativa: 1924).<\/p>\n<p>A energia el\u00e9trica fornecida pela m\u00e1quina a vapor apresentou problemas. Consumia parcela significativa de or\u00e7amento destinado ao setor de abastecimento de luz e \u00e1gua da capital apenas na compra de lenha. E, em pouco tempo, produzia energia em quantidade inferior \u00e0 demanda. Mais uma vez se constatava que a solu\u00e7\u00e3o viria do aproveitamento do potencial h\u00eddrico.<\/p>\n<p>Em 1925 o vice-presidente do estado, Estev\u00e3o Alves Corr\u00eaa, contratou uma empresa alem\u00e3 com escrit\u00f3rio em S\u00e3o Paulo, a A. E. G. Companhia Sul Americana de Eletricidade, para realizar os servi\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o de uma usina no rio da Casca. O contrato foi assinado na Secretaria Geral em mar\u00e7o de 1925. Mas o contrato n\u00e3o se cumpria naquela gest\u00e3o administrativa.<\/p>\n<p>No seu primeiro relat\u00f3rio, datado de 1926, o novo presidente de Mato Grosso, M\u00e1rio Corr\u00eaa, informava sobre as negocia\u00e7\u00f5es entre o governo anterior e a A. E. G. Companhia Sul Americana de Eletricidade. Acompanhemos suas palavras: O servi\u00e7o de ilumina\u00e7\u00e3o da cidade, encontrei-o em lament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o, achando-se mesmo a capital completamente privada de luz&#8230; Tendo j\u00e1 chegado o material em Santos, verifiquei que at\u00e9 ent\u00e3o nenhuma provid\u00eancia no tocante ao recebimento nesta capital e transporte desta ao rio da Casca, do pesad\u00edssimo material encomendado e cuja chegada estava eminente .<\/p>\n<p>Na continuidade do discurso, percebe-se que trabalhos como o da abertura da estrada at\u00e9 o rio da Casca e os dos servi\u00e7os de alvenaria no local da obra n\u00e3o estavam sequer iniciados. Ou seja, as obras de constru\u00e7\u00e3o da primeira usina hidroel\u00e9trica de Mato Grosso transcorreriam, de fato, na sua administra\u00e7\u00e3o. (APMT, Mensagem \u00e0 Assembleia Legislativa: 1926)<\/p>\n<p>Em julho, uma equipe t\u00e9cnica da Companhia Sul Americana de Eletricidade chegou para vistoriar os trabalhos e nela vieram o gerente Tito Rocker e o encarregado de montagem das m\u00e1quinas Carlos Rinke. Segundo M\u00e1rio Corr\u00eaa o projeto original estava repleto de equ\u00edvocos e foi preciso readequ\u00e1-lo o que, n\u00e3o s\u00f3 aumentou os custos da obra, como tamb\u00e9m acarretou no seu atraso. No fim daquele ano (de 1926) dar-se-ia a cria\u00e7\u00e3o da Inspetoria \/ Diretoria de Luz e \u00c1gua com a finalidade de regularizar os servi\u00e7os de gera\u00e7\u00e3o, capta\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia e \u00e1gua na capital.<\/p>\n<p>Os seis \u00faltimos meses de 1926, todo o ano de 1927 at\u00e9 julho de 28 foram gastos nas obras de constru\u00e7\u00e3o da usina, na prepara\u00e7\u00e3o das redes de alta e baixa tens\u00e3o, nas instala\u00e7\u00f5es de postes (das linhas de transmiss\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o), na constru\u00e7\u00e3o da primeira subesta\u00e7\u00e3o transformadora no Morro da Prainha, na prepara\u00e7\u00e3o de ruas, pra\u00e7as e jardins da cidade para receber a nova ilumina\u00e7\u00e3o. No caso das pra\u00e7as e jardins havia a novidade de usar fia\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, para o governo M\u00e1rio Corr\u00eaa, a preocupa\u00e7\u00e3o com a est\u00e9tica da cidade era uma constante. Foi ele quem remodelou o at\u00e9 ent\u00e3o mal cuidado Largo da S\u00e9 ou Pra\u00e7a da Matriz numa bela e bem cuidada Pra\u00e7a, esmerando-se em sua ilumina\u00e7\u00e3o que possu\u00eda 13 postes de ferro trabalhado sendo: oito com uma l\u00e2mpada, quatro com tr\u00eas l\u00e2mpadas e um com cinco l\u00e2mpadas. Tais postes, apesar de mal cuidados, ainda se encontram na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A baixo foto do belo Jardim Alencastro e o Pal\u00e1cio do Governo j\u00e1 com seus art\u00edsticos postes de ferro e l\u00e2mpadas, abastecidos por eletricidade gerada na hidroel\u00e9trica Rio da Casca I.<\/p>\n<p>Entre junho de 1926 e julho de 1928 foi constru\u00edda e inaugurada a primeira usina hidroel\u00e9trica no rio da Casa, depois conhecida como Casca I. Por dois anos foram despedidas uma gama consider\u00e1vel de esfor\u00e7os pol\u00edticos, humanos e recursos financeiros para levar a cabo um antigo sonho de prover a capital dos mato-grossenses de energia el\u00e9trica. N\u00e3o se pode creditar ao acaso tal empreendimento. O homem que teve a capacidade de dotar a cidade de uma usina hidroel\u00e9trica era integrado ao mundo moderno. Quando assumiu o governo de Mato Grosso, em 1926, M\u00e1rio Corr\u00eaa da Costa, era m\u00e9dico com fama consolidada no Rio de Janeiro e algumas passagens pela Europa onde fora se especializar.<\/p>\n<p>No dia 26 de julho de 1928 foi inaugurado o complexo sistema de gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e residencial em Cuiab\u00e1 a partir de uma usina hidroel\u00e9trica. Entre a necessidade, a inten\u00e7\u00e3o e a inaugura\u00e7\u00e3o foi um longo e \u00e1rduo caminho percorrido e os obst\u00e1culos vencidos foram enormes: o transporte de grandes e pesadas pe\u00e7as de S\u00e3o Paulo a Cuiab\u00e1, a necessidade de contrata\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos estrangeiros, os desafios para os construtores locais devido \u00e0 falta de m\u00e3o de obra e materiais, a constru\u00e7\u00e3o das linhas de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, entre tantas coisas, e de tudo fez-se um grande aprendizado.<\/p>\n<p>Ficaram respons\u00e1veis pelo sistema de transmiss\u00e3o Artur Gerv\u00e1sio, Ramiro Moreira da Silva, Orestes e Amidio Lima (Guarda fios) que percorriam as serras e chapad\u00f5es a qualquer hora e sob qualquer tempo, para devolver a luz \u00e0 cidade. De Cuiab\u00e1 a Pindaival, dali a Cap\u00e3o do Boi, passando pela Serra das Russas, at\u00e9 usina, esses quatro homens, em princ\u00edpio a p\u00e9 e depois em lombo de burros, n\u00e3o mediam sacrif\u00edcios para reparar os defeitos sempre trai\u00e7oeiramente camuflados (Ribeiro: 1983).<\/p>\n<p>Casca I teve uma vida \u00fatil de mais de cinquenta anos e passou por muitas reformas e adapta\u00e7\u00f5es. Em 1941, esta usina teve a sua capacidade duplicada no governo do interventor J\u00falio Strubing M\u00fcller. Em 1954, no governo do Dr. Fernando Corr\u00eaa da Costa, voltou a ser reformada, quando tamb\u00e9m foi decida a constru\u00e7\u00e3o de uma nova usina hidroel\u00e9trica no rio da Casca, pouco \u00e0 jusante da primeira, com disponibilidade energ\u00e9tica quatro vezes superior \u00e0quela. Mas antes que isto acontecesse foi criada a Centrais El\u00e9tricas Matogrossenses (Cemat), tema que tratamos no primeiro cap\u00edtulo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919-759x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1276\" width=\"258\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919-759x1024.jpg 759w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919-222x300.jpg 222w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919-768x1036.jpg 768w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919-111x150.jpg 111w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poste_ferro_1919.jpg 1109w\" sizes=\"(max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Jardim Alencastro com suas Lumin\u00e1rias El\u00e9tricas Cuiab\u00e1, MT, c. 1930 Acervo: Museu Hist\u00f3rico de Mato Grosso Foto Ferrari<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes-1024x613.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1277\" width=\"274\" height=\"164\" srcset=\"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes-300x180.jpg 300w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes-768x460.jpg 768w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes-150x90.jpg 150w, https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuiaba_postes.jpg 1077w\" sizes=\"(max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Pra\u00e7a da Rep\u00fablica e Postes com Fia\u00e7\u00e3o Subterr\u00e2nea Cuiab\u00e1, MT, c. 1930 Acervo: Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Arquitet\u00f4nico Nacional, Cuiab\u00e1 An\u00f4nimo<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 1919 seria uma data crucial na mem\u00f3ria dos cuiabanos. Sua cidade, a capital de todos os matogrossenses, faria 200 anos. Para a intelectualidade local aquela oportunidade mostravase \u00edmpar para construir signos e reafirmar a identidade de seu povo. Alguns dos preparativos deveriam ser pensados com muita anteced\u00eancia. Entre outros, prover a cidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":767,"featured_media":43,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_import_markdown_pro_load_document_selector":0,"_import_markdown_pro_submit_text_textarea":"","two_page_speed":[],"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1082","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/767"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1082"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1455,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1082\/revisions\/1455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}