{"id":371,"date":"2017-01-02T14:06:47","date_gmt":"2017-01-02T18:06:47","guid":{"rendered":"http:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/?p=371"},"modified":"2018-02-08T13:25:31","modified_gmt":"2018-02-08T17:25:31","slug":"a-ligacao-do-rio-da-casca-com-cuiaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/2017\/01\/02\/a-ligacao-do-rio-da-casca-com-cuiaba\/","title":{"rendered":"A liga\u00e7\u00e3o do Rio da Casca com Cuiab\u00e1."},"content":{"rendered":"<p>MORRO DA LUZ O morro da luz denominado parque Antonio Pires de Campos foi tombado como patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico municipal pelo decreto de lei n\u00ba 870 de 13.12.1983, homenageando o filho do bandeirante Manoel de Campos Bicudo, um dos primeiros desbravadores a atingir o local, e devido \u00e0 exist\u00eancia naquela \u00e1rea elevada de uma pequena casinha, a subesta\u00e7\u00e3o da usina de casca I, que fazia a distribui\u00e7\u00e3o da energia, e inaugurada em 1928, tamb\u00e9m ficou conhecida como morro da luz.<\/p>\n<p>Possu\u00eda Bicas e bacias visando a retirada de \u00e1gua. O historiador Francisco Ferreira Mendes, nos informa que, at\u00e9 1882 o abastecimento de \u00e1gua em Cuiab\u00e1 era feito atrav\u00e9s de pipas transportadas em carro\u00e7as, sendo vendida em latas e de porta em porta.<\/p>\n<p>Algumas casas possu\u00edam po\u00e7o de \u00e1gua salubre nos quintais. Somente em 1822, no alto do morro da Caixa D`\u00e1gua velha, aproveitando o declive, que impulsionava a \u00e1gua, desta feita pot\u00e1vel, recolhida do Rio Cuiab\u00e1, atrav\u00e9s de motores, que o cuiabano conheceu como hidr\u00e1ulica, \u00e1gua coletada em um imenso tanque, hoje transformado em Museu.<\/p>\n<p>Em Mato Grosso, mormente em Cuiab\u00e1, sua Capital, os problemas relacionados ao abastecimento de \u00e1gua, tamb\u00e9m era relacionado ao problema energ\u00e9tico. Por isso estamos apensando um pequeno trabalho de pesquisa, para melhor entendimento.<br \/>\nPara se chegar ao continente brasileiro, necess\u00e1rio se fez singrar os mares bravios, em caravelas tocadas pelo vento. Desta \u00e9poca at\u00e9 o advento da for\u00e7a motriz, a locomo\u00e7\u00e3o era atrav\u00e9s das \u00e1guas. Assim foi com o litoral brasileiro e principalmente, quando as entradas e bandeiras come\u00e7aram a perlustrar o Interland. N\u00e3o fossem estes movimentos incentivados, tamb\u00e9m, com a descoberta de jazidas de metais e pedras preciosas, o continente brasileiro ficaria a espera de ser redescoberto, ou invadido somente Deus saberia quando.<br \/>\nFeita esta reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia transcendental, quanto \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do nosso Pa\u00eds. Ainda tratando-se do elemento qu\u00edmico mais precioso para vida e agora com a vis\u00e3o de Mato Grosso e da sua eterna Capital Cuiab\u00e1, ap\u00f3s as idas e vindas e das forma\u00e7\u00f5es dos n\u00facleos, queremos no debru\u00e7ar sobre a hist\u00f3ria da \u00e1gua em Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desconhecimento cientifico \u00e0 \u00e9poca relativo a \u00e1gua (H20), quando hoje cientificamente sabemos que grande parte das patologias s\u00e3o adquiridas via h\u00eddrica, vamos encontrar Cuiab\u00e1 consumindo \u00e1gua em natura e portanto imbricada de bact\u00e9rias e outro microrganismos que vivem na \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u00c1gua pot\u00e1vel, pura e saud\u00e1vel ainda o cuiabano n\u00e3o consumia. Com a chegada de Miguel Sutil e a grande ocorr\u00eancia de pessoas deslocadas do \u201cArraial da Forquilha\u201d, em busca do ouro das Lavras do Sutil, a popula\u00e7\u00e3o viu-se na contingencia de utilizar no Sec. XIX, as biquinhas que escorriam do Morro do Ros\u00e1rio, onde se localizava o \u201cTanque do Arnesto\u201d n\u00e3o somente para atender as casas que em Cuiab\u00e1 estavam a surgir e principalmente para o consumo di\u00e1rio como bebida.<\/p>\n<p>No decorrer do tempo, o famoso \u201cTanque do Ba\u00fa\u201d para atender suas necessidades e o consumo di\u00e1rio. No Sec. XVIII, em 1777 foi constru\u00eddo um aqueduto sobre o C\u00f3rrego da Prainha, sendo que hoje n\u00e3o existe mais. Ainda no Sec. XIX foi constru\u00eddo o Chafariz do Mund\u00e9u e em 1914, outro Chafariz foi constru\u00eddo o Chafariz do Jardim Alencastro. Com o crescimento da cidade houve a necessidade da implanta\u00e7\u00e3o dos seguintes Chafarizes: O Chafariz da Pra\u00e7a Luiz de Albuquerque no Porto em 1830, o Chafariz da Pra\u00e7a da Bandeira em 1937, o Chafariz da Pra\u00e7a Ypiranga em 1914,Em 1912 o sistema de \u00e1gua em Cuiab\u00e1 foi ampliado com a Instala\u00e7\u00e3o de uma caixa de \u00e1gua na Pra\u00e7a General Mallet frente ao Liceu Cuiabano.<\/p>\n<p>A capta\u00e7\u00e3o da Hidr\u00e1ulica junto ao Rio Cuiab\u00e1 em 1948, e para receber a \u00e1gua captada construiu-se e foi inaugurada em 30 de dezembro de 1882, o 1\u00ba sistema de abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel constru\u00edda pelos empres\u00e1rios Jo\u00e3o Frick e Carlos Zannota na famosa Caixa D`\u00c1gua Velha, com a galeria no seu interior, objetivando atrav\u00e9s do declive abastecer as poucas casas residenciais existentes naquela \u00e9poca. Em 1914 da Galeria da Caixa D`\u00c1gua Velha descia \u00e1gua pot\u00e1vel para abastecer a cidade. Em 1939 iniciou a constru\u00e7\u00e3o da Torre de \u00c1gua atrav\u00e9s da empresa Coimbra Bueno, localizada no Bairro do Quilombo, na Avenida Presidente Marques. E com esta empresa veio o cuiaban\u00edssimo carioca Dr. C\u00e1ssio Veiga de S\u00e1, engenheiro renomado, respons\u00e1vel por belas e fortes edifica\u00e7\u00f5es em Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p>No governo de Dr. Arnaldo Estev\u00e3o de Figueiredo, chegou o Sr. Delphino de Mattos para ocupar a Diretoria de luz e \u00e1gua, isto no ano de 1950, que tamb\u00e9m presidiu a Usina de Jaciara.<\/p>\n<p>Relata ele as dificuldades encontradas na Diretoria de Luz e \u00e1gua de Cuiab\u00e1, n\u00e3o somente de ordem econ\u00f4mica onde poucos efetuavam o pagamento da conta de luz, como tamb\u00e9m de ordem administrativa para gerencial com m\u00ednimo de racionalidade a Diretoria. Poucos Funcion\u00e1rios na grande maioria sem qualifica\u00e7\u00e3o profissional, em que pese \u00e0 boa vontade e desprendimento dos mesmos para suprir as necessidades da cidade na \u00e1rea da energia el\u00e9trica, setor que exigia alta capacidade e que devido a isto muitos morreram eletrocutados. E ainda devia gerenciara a parte de \u00c1gua e esgotos, imaginemos a parafern\u00e1lia administrativa, por escassez de funcion\u00e1rios e funcion\u00e1rios qualificados. Na grande maioria eram oriundos dos s\u00edtios e ro\u00e7as de Mato Grosso, levando o diretor a se pronunciar: \u201ctrabalhamos na base do amor e abnega\u00e7\u00e3o\u201d. Entretanto \u00e0 medida que os anos avan\u00e7avam, o n\u00famero de habitantes avan\u00e7ava, tamb\u00e9m exigindo mais servi\u00e7os naquelas \u00e1reas, exigindo mais e mais liga\u00e7\u00f5es e como o poder p\u00fablico era carente a popula\u00e7\u00e3o partia para as liga\u00e7\u00f5es clandestinas, onde o risco de acidentes que provocavam mortes era frequente. Relata ainda o Sr. Delphino: \u201cIsto sem contar com a falta de energia, devido a queda das redes energ\u00e9ticas velhas e ruins\u201d.<\/p>\n<p>Nisto posso ratificar o relato, visto que no meu exerc\u00edcio profissional, j\u00e1 nos meados da d\u00e9cada de 60, fui muitas vezes obrigado a interromper meu servi\u00e7o por falta de energia el\u00e9trica, ou terminar uma extra\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria com o paciente ajudando na ilumina\u00e7\u00e3o, segurando uma vela. Os pedidos para renovar a Usina Casca I eram insistentes, at\u00e9 que em 1950 iniciou-se a constru\u00e7\u00e3o da Usina Casca II. Em Cuiab\u00e1 no \u201cMorro da Colina Iluminada\u201d, onde hoje existe o Pr\u00e9dio Jo\u00e3o Pedro Dias- o patrono da energia el\u00e9trica em Cuiab\u00e1, pr\u00f3ximo ao Col\u00e9gio Nilo P\u00f3voas, existiu a chamada e conhecida pelos cuiabanos \u201cA Casinha da Luz\u201d, pintada de branco, que acolhia nada mais que dois transformadores, como centro de distribui\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica em Cuiab\u00e1, e nem chefia existia \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Continua relatando ainda o Diretor Delphino: \u201ca rede de distribui\u00e7\u00e3o urbana era muito ruim, diz ele que; quando se construiu Casca I morreu muita gente eletrocutada, porque quando caiam os fios el\u00e9tricos, as pessoas n\u00e3o sabiam e pisavam nos mesmos. Morreram muitos carroceiros, pedreiros, e at\u00e9 soldados. Relata um dos funcion\u00e1rios humilde sob seu comando, era guarda fios Sr. Joaquim que j\u00e1 havia pedido para voltar a trabalhar na sede em Cuiab\u00e1, por\u00e9m ao executar o \u00faltimo servi\u00e7o, diz o Sr. Delphino: \u201cele saiu montado no burro e n\u00e3o mais voltou, foi encontrado com vida, apenas seu chap\u00e9u encostado no fio el\u00e9trico, pois o mesmo morrera eletrocutado. N\u00e3o foi o primeiro nem ser\u00e1 o ultimo a morrer, vitimas das conting\u00eancias absolutamente pioneiras da \u00e9poca, morreram em nome do progresso!\u201d O relator de parte desta hist\u00f3ria, Sr. Delphino de Mattos, foi vereador e prefeito interino de Cuiab\u00e1, em 1949, motivado pelo afastamento do prefeito titular Sr. Leonel Hugueney por motivo de viagem. Deixou um relato sobre a Diretoria de Luz e \u00e1gua, em 22 de maio de 1950, endere\u00e7ado ao abrangente Secret\u00e1rio de Agricultura, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio, Via\u00e7\u00e3o e Obras p\u00fablicas Dr. Ros\u00e1rio Congro. Como se v\u00ea um homem multifacetado na \u00e9poca! Entre tantas constantes do relat\u00f3rio, assinala ele: \u201ca cr\u00edtica situa\u00e7\u00e3o da usina geradora, cuja capacidade de h\u00e1 muito estava esgotada, relembrando os velhos conjuntos montados por M\u00e1rio Corr\u00eaa da Costa e o segundo pelo Interventor J\u00falio M\u00fclher, em 1942. Solicitava ainda uma nova usina, solicita\u00e7\u00e3o j\u00e1 feita por Alberto Addor em 1948. Pelo relato onde se observa a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica existente em Cuiab\u00e1, onde havia falta de L\u00e2mpadas, bra\u00e7os e postes, existindo apenas os de madeira, e pouqu\u00edssimos de ferro, al\u00e9m dos avariados pelos autom\u00f3veis que come\u00e7avam a inundar a cidade. No final do seu relat\u00f3rio, foi \u00e9tico exaltando o trabalho dos seus companheiros e dos 46 funcion\u00e1rios que dispunha, exaltando ainda que a qualquer momento do dia ou da noite, estavam eles prestando servi\u00e7os \u00e0 comunidade e por isto reivindicava ao governador, melhores sal\u00e1rios. No governo de Dr. Fernando Corr\u00eaa da Costa, a convite do mesmo chega a Cuiab\u00e1, o engenheiro C\u00e2ndido Rondon, nomeado em fevereiro de 1951 para chefiar os servi\u00e7os de \u00e1gua, luz e esgotos. Demonstrou de inicio a dificuldade de comandar uma usina separada por dezenas de quil\u00f4metros e ligada \u00e0 ela por um prec\u00e1ria linha de transmiss\u00e3o e ainda foi humilde ao reconhecer sua dificuldade para resolver os problemas atinentes \u00e0 agua, visto ser ele engenheiro eletro t\u00e9cnico, e neste mister teve ele a capacidade de descobrir a possibilidade de aproveitamento da mesma queda que movia a usina Casca I, um quilometro abaixo duplicando o potencial energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Diz que: trabalho pessoalmente juntamente com seu colega Jair Cuiabano, tempo dif\u00edcil onde mais dif\u00edcil era o dinheiro para a empreitada. At\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da for\u00e7a luz e \u00e1gua a EFLA, instalada em setembro de 1951, ganhando maior autonomia financeira e propiciando maior agilidade na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas relativos ao setor.<\/p>\n<p>Diz o op\u00fasculo da CEMAT, que C\u00e2ndido Rondon n\u00e3o abria m\u00e3o da escolha dos seus assessores diretos, os Diretores da EFLA, visando a expandir os recursos energ\u00e9ticos do Estado. Em 1952, levou para a EFLA o engenheiro Carlos Santos Melo, em 1953, Hort\u00eancio Jos\u00e9 Vieira e em 1954 o engenheiro Carmelito Torres, sendo que em 1954, inaugurava a Usina Casca II, que tinha dois grupos geradores de 33.033 cavalos, por\u00e9m modulada para receber outro grupo gerador que seria de tr\u00eas mil cavalos. Seguindo o caminho do seu colega Alberto Addor, buscando fazer justi\u00e7a aos que trabalharam C\u00e2ndido Rondon in\u00famera alguns importantes colaboradores, al\u00e9m do presidente Trumann dos EUA, o governo Federal atrav\u00e9s da SPEVEA, empresas particulares como a Socel (sociedade campo-grandense de engenharia LTDA), atrav\u00e9s de Kerman Machado, depois presidente da CEMAT e a Civeletro atrav\u00e9s do ex-governador Jos\u00e9 Garcia Neto.<\/p>\n<p>Lembra-se ainda dos antigos companheiros n\u00e3o menos importantes para a hist\u00f3ria da energia em Mato Grosso: Juven\u00edlio do antigo departamento de for\u00e7a e luz, Apol\u00f4nio Bouret de Melo, Tomazito e Chico Rom\u00e3o, formando uma equipe admir\u00e1vel segundo seu conceito. Os obst\u00e1culos eram muitos, relata C\u00e2ndido Rondon, desde a falta de cimento que \u00e0 \u00e9poca era importado, s\u00f3 conseguindo com parte da cota destinada a S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s do governador Lucas Nogueira Gar\u00e7es que demonstrou ser amigo de Mato Grosso, os meios de transporte vez que o enorme assoreamento do Rio Cuiab\u00e1, impedia chegada de batel\u00f5es oriundos de Corumb\u00e1, transportando cimento, sendo necess\u00e1rio at\u00e9 o transporte a\u00e9reo atrav\u00e9s do velho avi\u00e3o \u201cDouglas\u201d. O contingente de trabalhadores era mesclado de paraguaios e nordestino, onde somente a cacha\u00e7a promovia harmonia. C\u00e2ndido Rondon, guardada as propor\u00e7\u00f5es repetiria a saga do seu vener\u00e1vel antepassado Marechal C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon, o patrono das comunica\u00e7\u00f5es brasileiras, sendo ele um dos patronos do potencial energ\u00e9tico em Mato Grosso, devido \u00e0 persist\u00eancia que marcou a ambos. Em 04 de agosto de 1958, o governador Jo\u00e3o Ponce de Arruda sancionava a Lei 832, criando a Centrais el\u00e9tricas de Mato-grossense S\/A\u2013A CEMAT, tendo como objetivo a realiza\u00e7\u00e3o de estudos, projetos, constru\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es de usinas produtoras e linhas de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, bem como a celebra\u00e7\u00e3o de atos de Com\u00e9rcio decorrentes dessas atividades. Informa-nos o op\u00fasculo.<\/p>\n<p>O historiador Rubens de Mendon\u00e7a, diz que: Mato Grosso tinha fome e sede de energia el\u00e9trica. Sem d\u00favida esta fome e sede tinham que existir, pois o potencial econ\u00f4mico e de produ\u00e7\u00e3o desde a mat\u00e9ria prima \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, passavam por mitigar estas necessidades. As dificuldades foram enormes nos relata novamente Alberto Addor, pois faltava credibilidade para que prefeituras que j\u00e1 possu\u00eda energia el\u00e9trica, como no caso de Alto Araguaia, investissem na duvidosa S\/A. Relata-nos que o apoio da CEMIG (centrais el\u00e9tricas de Minas Gerais) e da Celg (centrais el\u00e9tricas de Goi\u00e1s) que a CEMAT viabilizou-se como empresa. O historiador Rubens de Mendon\u00e7a, sempre brincalh\u00e3o disse: \u201cque a CEMAT cuja instala\u00e7\u00e3o foi concedida pelo presidente Juscelino Kubitschek, pelo decreto 44.647 de 17 de outubro de 1958, \u00e9 anterior \u00e0 pr\u00f3pria Eletrobr\u00e1s (Centrais El\u00e9tricas Brasileiras, institu\u00edda em abril de 1961), tratando-se portanto do surgimento de uma filha antes que a pr\u00f3pria m\u00e3e surgisse!\u201d O coronel M\u00e1ximo Levi foi o primeiro presidente da CEMAT S\/A homem competente e compromissado com Mato Grosso e com a vis\u00e3o da realidade da sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>O op\u00fasculo da CEMAT d\u00e1-nos informa\u00e7\u00f5es preciosas de quanto se investiu na empreitada, e estamos a repetir na esperan\u00e7a que alguns da futura gera\u00e7\u00e3o aquilatem o quanto de sacrif\u00edcio e recursos financeiros foram empenhados. Informa-nos o engenheiro Alberto Addor: \u201cnaquela \u00e9poca comprou-se por 32 milh\u00f5es de cruzeiros, o conjunto hidrel\u00e9trico de Paranapanema (Ipau\u00e7u) e somente na constru\u00e7\u00e3o da rodovia entre Ribas do Rio Pardo e Cacheira do Mimoso gastou-se 36 milh\u00f5es, enquanto o transporte de toda maquin\u00e1rio consumiu valiosos 3,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Estava assim tudo pronto para constru\u00e7\u00e3o da usina de Mimoso, que o governador dava por equacionado por 10 a 15 anos o problema energ\u00e9tico que angustiava Campo Grande, hoje Mato Grosso do Sul. Mimoso hoje esta sob a tutela da Enersul empresa surgida ap\u00f3s divis\u00e3o territorial de Mato Grosso. A CEMAT teve tamb\u00e9m como presidente: Vitor Andrade Brito, Fernando de Paula Delgado, Alceu Sanches, Ant\u00f4nio Luckman filho, Marcelo Miranda Soares, Kerman Jos\u00e9 Machado, Carmelito Torres, Carlos Gentiluomo e \u00c9zio Cal\u00e1bria. Com o presidente da CEMAT coronel do exercito M\u00e1ximo Levi, assumiram tamb\u00e9m: como Diretor t\u00e9cnico o engenheiro eletricista Alberto Alu\u00edzio Addor, Direror comercial o Sr. Heronides de Ara\u00fajo e Gerente de se\u00e7\u00e3o de comercializa\u00e7\u00e3o Jercy Jacob.<\/p>\n<p>As atitudes e investimentos tolhidos ao Velho Mato Grosso, antes da divis\u00e3o territorial, legou \u00e0 historia a realidade de que o sert\u00e3o in\u00f3spito de Mato Grosso n\u00e3o merecia maior aten\u00e7\u00e3o do Governo Federal. Falta de perspic\u00e1cia a tiroc\u00ednio politico, vez que uma preciosa regi\u00e3o com grandiosa rede hidrogr\u00e1fica, grande parte da floresta Amaz\u00f4nica, n\u00e3o merecia aten\u00e7\u00e3o? Que arrumassem outra justificativa mais condizente mesmo para aquela \u00e9poca do Brasil castrador! A car\u00eancia de recursos financeiros n\u00e3o propiciou o aparecimento de forma compat\u00edvel qua a capital de Mato Grosso estava a experimentar, quase chegando ao total estrangulamento dos recursos energ\u00e9ticos, o que levou a atitude de reaproveitar a queda poss\u00edvel que resultou no primeiro grupo hidrel\u00e9trico de Cuiab\u00e1 em 1928, inclusive ficando na car\u00eancia de um engenheiro eletro t\u00e9cnico at\u00e9 1945, quando assumiu o engenheiro Alberto Addor.<\/p>\n<p>Conta-nos a extrema dificuldade enfrentada pelo presidente do Estado Dr. M\u00e1rio Corr\u00eaa da Costa na \u00e1rea das finan\u00e7as e tamb\u00e9m o isolamento Geogr\u00e1fico do Estado, objetivando a constru\u00e7\u00e3o da usina Casca I em 1928, ap\u00f3s v\u00e1rios entraves como o transporte de equipamentos via ferrovi\u00e1ria, terrestre e fluvial, que levavam meses. Finalmente em 26 de julho de 1926 a usina Casca I foi inaugurada.<\/p>\n<p>Sendo ampliada na \u00e9poca do Interventor J\u00falio M\u00fclher, j\u00e1 na d\u00e9cada de 40. O precioso op\u00fasculo editado pela CEMAT, por ocasi\u00e3o do seu vig\u00e9simo anivers\u00e1rio, nos relata atrav\u00e9s do Ilustre engenheiro corumbaense Dr. Carmelito Torres, que viveu os acontecimentos hist\u00f3ricos da hist\u00f3ria da Energia el\u00e9trica em Mato Gross, onde ocupou desde a presid\u00eancia at\u00e9 outros relevantes cargos na Empresa: no per\u00edodo do governo de Fernando Corr\u00eaa da Costa em 1951 a 1955, um dos fatos mais marcantes foi a constru\u00e7\u00e3o da usina de Casca II, da subesta\u00e7\u00e3o de Cuiab\u00e1, melhoria da rede de distribui\u00e7\u00e3o urbana, e por fim promoveu o encontro dos governadores da \u00e1rea de influencia da Bacia do Rio Paran\u00e1.<\/p>\n<p>No governo de Jo\u00e3o Ponce de Arruda em 1955 a 1961, diversos melhoramentos no setor da instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, especialmente nas linhas de transmiss\u00e3o da usina de Casca \u00e0 Cuiab\u00e1 e uma nova subesta\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o na Capital.<\/p>\n<p>Mas o que marcou sua administra\u00e7\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o das Centrais El\u00e9tricas Mato-grossenses S\/A \u2013 CEMAT em 17 de outubro de 1958. No segundo mandato 1961 a 1966, deu-se o inicio das obras da usina Casca III e a introdu\u00e7\u00e3o da CEMAT no setor de capitais externos. No governo do Dr. Pedro Pedrossian de 1966 a 1971 aconteceu a mudan\u00e7a de padr\u00f5es e dos postes substituindo os de madeira pelos de concreto, substitui\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o incandescente a vapor de merc\u00fario e ilumina\u00e7\u00e3o ornamental em algumas avenidas da Cidade. Neste per\u00edodo houve o desmembramento do servi\u00e7o de \u00e1gua da Capital, at\u00e9 ent\u00e3o sob a tutela da energia el\u00e9trica, quando foi criada a SANEMAT.<\/p>\n<p>Foi ainda inaugurada a usina de alto Paraguai e o sistema de transmiss\u00e3o para 06 munic\u00edpios vizinhos: Diamantino, Aren\u00e1polis, Nortel\u00e2ndia, Ros\u00e1rio Oeste e Nobres. Construiu ainda a segunda linha de transmiss\u00e3o de Casca a Cuiab\u00e1 e a subesta\u00e7\u00e3o localizada no Jardim Leblon, que devido ao ch\u00e3o duro ficou com o apelido que at\u00e9 hoje permanece o apelido de \u201cBarro Duro\u201d. No per\u00edodo do governo do Dr. Jos\u00e9 Fontanillas Fragelli de 1971 a 1975 foram adquiridos mais alguns conjuntos diesel\u00e9tricos importados, com cr\u00e9dito externo visando a aumentar o potencial el\u00e9trico do Estado. Houve a mudan\u00e7a de 50 para 60 ciclos por segundo da pioneira Casca I, at\u00e9 que enfim o sonho acalentado por Addor e C\u00e2ndido Rondon foi realizado. Foi implantado ainda nesse per\u00edodo o Centro de Processamento Eletr\u00f4nico de Dados. Os estudos efetuados pela Eletrobr\u00e1s e a CEMAT propiciou a liga\u00e7\u00e3o no sistema Nacional conseguindo o fornecimento de energia el\u00e9trica para Mato Grosso de forma mais consistente, concluindo a interliga\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o da Usina de Couto Magalh\u00e3es no Rio Araguaia na divisa com Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>No per\u00edodo do governo de Dr. Jos\u00e9 Garcia Neto de 1975 a 1978, houve a conclus\u00e3o e inaugura\u00e7\u00e3o da linha de transmiss\u00e3o Cacheira Dourada, Rio Verde, Rondon\u00f3polis, Cuiab\u00e1, interligando totalmente o sistema de suprimento Nacional e com a expans\u00e3o do sistema de transmiss\u00e3o mais para o Oeste, alcan\u00e7ando com energia do sistema Nacional, V\u00e1rzea Grande, Livramento, Pocon\u00e9 e C\u00e1ceres e o sistema de transmiss\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de Alto Paraguai. Com a divis\u00e3o territorial de Mato Grosso neste per\u00edodo houve atrav\u00e9s da Lei complementar de N\u00ba 31 de 11 de outubro de 1977, a cria\u00e7\u00e3o de nova empresa de energia el\u00e9trica para o novo Estado surgindo ent\u00e3o a Enersul.<\/p>\n<p>No governo de Dr. C\u00e1ssio Leite de Barros de 1978 a 1979, assumindo devido a desincompatibiliza\u00e7\u00e3o de Garcia Neto, houve continuidade do processo administrativo culminando com o aparecimento do Projeto intitulado \u201cCyborg\u201d e concluindo e inaugurando o sistema de energia el\u00e9trica de SINOP. No per\u00edodo do Dr. Frederico Campos, foi definida a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica do Manso sob a responsabilidade da Eletronorte. Consolidou-se recursos para a implanta\u00e7\u00e3o do Projeto \u201cCyborg\u201d. Houve ainda a cis\u00e3o da CEMAT, servindo a Mato Grosso, com a Enersul servindo ao Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>No governo do Dr. J\u00falio Jos\u00e9 de Campos, de 1963 a 1986, renunciando ao mandato para candidatar-se ao senado da Rep\u00fablica, trabalhou na interliga\u00e7\u00e3o do sistema nas linhas nas regi\u00f5es de Guiratinga e Barra do Bugres. Transmiss\u00e3o da linha energ\u00e9tica a de modifica\u00e7\u00e3o da tens\u00e3o da segunda linha de Rio Verde a Rondon\u00f3polis. No ano de 1940 iniciou-se a aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos pelo Eng\u00ba. W.W.Rein, sendo que em 1941 no governo de J\u00falio M\u00fclher, foi instalada a primeira Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua em Cuiab\u00e1, a ETA-I com a capacidade de distribui\u00e7\u00e3o de tr\u00eas milh\u00f5es de litros de \u00e1gua diariamente, com tratamento com o halog\u00eanio Sulfato de Alum\u00ednio, na qualidade de decantador visando a atender 25 mil habitantes.<\/p>\n<p>Foi inaugurada em 19 de abril de 1942 e ampliada em 1977, na gest\u00e3o, do governador Jos\u00e9 Garcia Neto (1975-1978) sob a dire\u00e7\u00e3o do Eng\u00ba. Luiz de Borges Garcia. Em 08 de abril de 1969, durante as comemora\u00e7\u00f5es dos 250 anos de Cuiab\u00e1, foi inaugurada a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua bruta do Ribeir\u00e3o do L\u00edpa, fundando uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua. A Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua o ETA-II, situada na Rua S\u00e3o Sebasti\u00e3o inaugurada em 20 de dezembro de 2007 e, ap\u00f3s sua restaura\u00e7\u00e3o recebeu o nome do Eng\u00ba. Jose Luiz de Borges Garcia, hoje \u00e9 conhecida por Memorial das \u00c1guas.<\/p>\n<p>Na atual conjuntura outra ETA est\u00e1 sendo constru\u00edda dentro dos ditames de modernidade no Bairro Tijucal, na gest\u00e3o do atual Prefeito Municipal Professora Wilson Santos. (Fonte SANECAP \u2013 pesquisa da Ilustre Historiadora: N\u00e9lia Maria de Souza Barreto). Duas for\u00e7as transcendentais para o desenvolvimento de um Arraial, Vila ou cidade, foi e sempre ser\u00e1 a presen\u00e7a da \u00e1gua e a presen\u00e7a da energia el\u00e9trica que propulsiona o desenvolvimento. Os historiadores mato-grossenses nos d\u00e3o conta das atribula\u00e7\u00f5es vivida pela popula\u00e7\u00e3o cuiabana, desde a \u00e9poca dos Capit\u00e3es generais at\u00e9 a \u00e9poca atual. A primeira fonte de energia visando a combater a escurid\u00e3o, em Cuiab\u00e1, surge com o aproveitamento do \u00f3leo de peixe dos lambaris e piquiras, que eram esmagados no \u201cCanto ou Largo do Sebo\u201d, visando a alimentar as tigelas de barro ou mesmo de casca de laranja azeda, que da sua combust\u00e3o atrav\u00e9s de um pavio de algod\u00e3o ou mesmo de palha de milho, servia para iluminar na escurid\u00e3o das Ruas. Alguns utens\u00edlios para esta finalidade chamavam \u201cCandeeiros\u201d e, at\u00e9 hoje temos um Beco em Cuiab\u00e1 com este nome.<\/p>\n<p>At\u00e9 1722, quase pr\u00f3ximo a instala\u00e7\u00e3o do Arraial da Forquilha e logo em seguida do Bom Jesus do Cuiab\u00e1, o azeite e \u00f3leo dos peixes eram os combust\u00edveis que iluminavam a cidade.<\/p>\n<p>O historiador Paulo Setubal, deu uma perlustrada na hist\u00f3ria da ilumina\u00e7\u00e3o em Cuiab\u00e1, tamb\u00e9m relatada pelo historiador cuiabano Rubens de Mendon\u00e7a, contando um acontecimento ocorrido no Beco do candeeiro, onde havia uma casa de jogo de um cidad\u00e3o por nome Quim Proen\u00e7a, onde na porta da casa estava instalado um enorme candeeiro, n\u00e3o somente para iluminar mais tamb\u00e9m, para chamar a aten\u00e7\u00e3o aliciando pessoas para a casa de jogo, \u00e9poca do Bandeirante Paschoal Moreira Cabral. Outro historiador cuiabano Francisco Ferreira Mendes, nos d\u00e1 conta que para manuten\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mediante contrato a administra\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia contratou dois servidores, um acendia os candeeiros e outro os apagava, sendo que o servi\u00e7o era supervisionado pela Chefatura de Pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Somente mais tarde na Intend\u00eancia, o servi\u00e7o de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica passou a ser responsabilidade do poder publico, que contratou um funcion\u00e1rio para a execu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. Registra ainda o historiador Ferreira Mendes que em 22 de julho de 1873 foi assinado um contrato com o comendador Manoel Leite do Amaral Coutinho para a implanta\u00e7\u00e3o de 100 lampi\u00f5es de G\u00e1s reinvindica\u00e7\u00e3o de Miranda Reis.<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o deste sistema favoreceu ao Porto, \u00e0s Ruas 15 de novembro (a Rua Larga), a Rua 13 de junho (Rua Bela do Juiz), Rua Ant\u00f4nio Maria (Rua da Pi\u00e7arra) e algumas Pra\u00e7as como: A Pra\u00e7a Ipiranga (Cruz das Almas), Largo da Mandioca (Conde de Azambuja) e da Igreja do S\u00e3o Gon\u00e7alo (Porto), isto no ano de 1905.<\/p>\n<p>Continua relatando Ferreira Mendes que: com a deposi\u00e7\u00e3o e morte do Presidente da Prov\u00edncia Ant\u00f4nio Paes de Barros (Tot\u00f3 Paes),em 1906, assumiu o governo Municipal de 1909 a 1911 o coronel Avelino Ant\u00f4nio de Siqueira que deu maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o da cidade, mandando instalar dois gas\u00f4metros um no Jardim Alencastro outro no Jardim Ipiranga, atingindo a ilumina\u00e7\u00e3o do g\u00e1s acetileno a Avenida Generoso Ponce, Rua 13 de junho at\u00e9 a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica. De 1912 em diante na administra\u00e7\u00e3o do coronel Amar\u00edlio Alves de Almeida a ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s chegou ao Porto, sendo o gas\u00f4metro instalado nos fundos do quartel da Policia militar.<\/p>\n<p>O sistema de ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s acetileno perdurou at\u00e9 1919, com o advento da luz el\u00e9trica, com a chegada em Cuiab\u00e1 do Cearense Jo\u00e3o Pedro Dias, fazendo um grande trabalho nesse setor nos anos seguintes, abrindo na capital e no Estado a fase da energia el\u00e9trica. Assim nos relata o historiador Francisco Ferreira Mendes. Outro historiador mato-grossense Rubens de Mendon\u00e7a, nos afirma que a primeira tentativa para iluminar Cuiab\u00e1 com energia el\u00e9trica aconteceu no governo de Ant\u00f4nio Corr\u00eaa da Costa que concedeu ao engenheiro Jaques Markwalder a explora\u00e7\u00e3o por 70 anos o servi\u00e7o de abastecimento de \u00e1gua e ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p>Entretanto por descumprimento de cl\u00e1usulas do contrato o mesmo foi interrompido. Outros mais efetuaram contrato com o Estado que tamb\u00e9m descumprir\u00e3o, at\u00e9 que em 1914 o Estado assumiu o papel de fiscalizar as concess\u00f5es. A solu\u00e7\u00e3o definitiva aconteceu quando o presidente do Estado Manoel de Faria Albuquerque, atrav\u00e9s da Lei n\u00ba 714 de 20 de setembro concedeu a Jo\u00e3o Pedro Dias a explora\u00e7\u00e3o por 30 anos para a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Cuiab\u00e1 e fornecimento de for\u00e7a motriz.<\/p>\n<p>Diz-nos ainda Rubens de Mendon\u00e7a que: pela primeira vez o Presidente da Prov\u00edncia cita um nome que ser\u00e1 respons\u00e1vel por esta concess\u00e3o at\u00e9 a d\u00e9cada de 60, o nome de Jo\u00e3o Pedro Dias, sendo autorizado a constru\u00e7\u00e3o da Usina geradora do Casca. Isto lhe valeu o apelido do Sr. Dias da Luz.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria registra que ele aproveitou uma caldeira velha produzindo energia el\u00e9trica iluminando v\u00e1rias resid\u00eancias, estabelecimentos particulares e ainda a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, o que propiciou a realiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios atos cir\u00fargicos no per\u00edodo noturno. Jo\u00e3o Pedro Dias abriu uma proposta a se concretizar na d\u00e9cada de 80 a constru\u00e7\u00e3o da Usina do Manso, sendo que naquela \u00e9poca antevia a forma de dar condi\u00e7\u00f5es de funcionamento para a instala\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas na Capital de Mato Grosso.<\/p>\n<p>O historiador Rubens de Mendon\u00e7a relata que: vencendo a indiferen\u00e7a geral, transpostos os entraves de todos os g\u00eaneros em julho de 1919 a cidade de Cuiab\u00e1, como uma m\u00e1gica, se rejubilava com a luz viva das l\u00e2mpadas de Edison.<\/p>\n<p>Essa primeira ilumina\u00e7\u00e3o era gerada por m\u00e1quina a vapor localizada na hidr\u00e1ulica \u00e0s margens do Rio Cuiab\u00e1. Continua relatando Rubens de Mendon\u00e7a: que no segundo per\u00edodo presidencial do coronel Pedro Celestino Corr\u00eaa da Costa, em 1922 ele autorizou a reforma do contrato com Jo\u00e3o Pedro Dias para a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Cuiab\u00e1, podendo o servi\u00e7o abranger o abastecimento de \u00e1gua, fixando um capital de 1.500 contos a juros anuais de 8%, para a capta\u00e7\u00e3o de energia Hidrel\u00e9trica. Em 1924, por decreto a Usina el\u00e9trica de Cuiab\u00e1 foi incorporada ao patrim\u00f4nio p\u00fablico Municipal, n\u00e3o obstante a concess\u00e3o vigente, em favor de Jo\u00e3o Pedro Dias. Homem de denodado valor e absorvido pelo patriotismo, em 1909 montou a telefonia em Cuiab\u00e1 tendo 22 pessoas como assinantes.<\/p>\n<p>Com todos os obst\u00e1culos da \u00e9poca foi montada uma Casa de For\u00e7a no rio Cuiab\u00e1 movida por uma caldeira a lenha que fornecia \u00e1gua e gerava energia \u00e0 cidade. A lenha vinha por via fluvial. O bicenten\u00e1rio de Cuiab\u00e1 foi comemorado sem energia el\u00e9trica que deveria ser inaugurada em 1919, mas que por quest\u00f5es politicas e religiosas entre Jo\u00e3o Pedro Dias que era evang\u00e9lico Presbiteriano e o Presidente Dom Aquino Corr\u00eaa da Costa Arcebispo de Cuiab\u00e1, a inaugura\u00e7\u00e3o foi adiada.<\/p>\n<p>Desgostoso com as persegui\u00e7\u00f5es que lhe impuseram Jo\u00e3o Pedro Dias mudou-se para Chapada dos Guimar\u00e3es, l\u00e1 construindo a primeira casa de alvenaria. Incentivou o plantio do caf\u00e9 na regi\u00e3o e, foi o primeiro ali a chegar com um caminh\u00e3o, cujo motorista Mois\u00e9s Mendes Martins, veio a ser o seu genro, ao casar-se com sua filha Gemima Dias. Com o falecimento de Jo\u00e3o Pedro Dias na d\u00e9cada de 30, o seu filho Jo\u00e3o Alberto Dias assumiu a lideran\u00e7a dos servi\u00e7os de energia em Cuiab\u00e1 at\u00e9 1945, quando se afastou do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Ao ser incorporada a empresa do seu pai Jo\u00e3o Pedro Dias ao poder p\u00fablico, o governador M\u00e1rio Corr\u00eaa da Costa exigiu que Jo\u00e3o Alberto permanecesse como encarregado do servi\u00e7o energ\u00e9tico em todo Estado, sendo que para isto foi nomeado em 1929.<br \/>\n(pesquisa compilada por Mois\u00e9s Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MORRO DA LUZ O morro da luz denominado parque Antonio Pires de Campos foi tombado como patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico municipal pelo decreto de lei n\u00ba 870 de 13.12.1983, homenageando o filho do bandeirante Manoel de Campos Bicudo, um dos primeiros desbravadores a atingir o local, e devido \u00e0 exist\u00eancia naquela \u00e1rea elevada de uma pequena casinha, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":767,"featured_media":43,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_import_markdown_pro_load_document_selector":0,"_import_markdown_pro_submit_text_textarea":"","two_page_speed":[],"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-371","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/767"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":942,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371\/revisions\/942"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}