{"id":373,"date":"2017-01-02T14:44:25","date_gmt":"2017-01-02T18:44:25","guid":{"rendered":"http:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/?p=373"},"modified":"2017-01-26T23:48:07","modified_gmt":"2017-01-27T03:48:07","slug":"rio-da-casca-e-o-morro-da-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/2017\/01\/02\/rio-da-casca-e-o-morro-da-luz\/","title":{"rendered":"Rio da Casca e o Morro da Luz"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><span style=\"color: #000099; font-family: Verdana, Arial, Helvetica; font-size: xx-small;\"><b>PAULO ZAVIASKY<\/b><\/span><\/td>\n<td align=\"right\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"color: #000099; font-family: Verdana, Arial, Helvetica; font-size: large;\"><b>Os mist\u00e9rios do Morro da Luz<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, Helvetica; font-size: small;\">O \u201cMorro da luz\u201d era assim chamado por causa da \u00fanica e pequenina \u201ccasinha\u201d, comprida, parecendo de dois andares, por causa da altura de quase oito metros e suas janelinhas bem l\u00e1 em cima.<\/span><\/p>\n<p>Dentro, apenas alguns transformadores dinossauros, montes de fios grossos que recebiam a \u201cenergia\u201d el\u00e9trica do Rio Casca e faziam a distribui\u00e7\u00e3o por toda a Cuiab\u00e1. Era a \u201cCasinha da EFLA\u201d, empresa de for\u00e7a, luz e \u00e1gua.<\/p>\n<p>No meio dela, aquele vazio, sujo, tudo cheirando a \u00f3leo, e o telhado a quase oito metros de altura. Umas plataformas de madeiras, quase quebrando, em volta de suas paredes com algumas janelas pequenas nos quatro lados.<\/p>\n<p>Uma escadinha de madeira, tamb\u00e9m r\u00fastica e velha, e, s\u00f3!<\/p>\n<p>Era a \u201cesta\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o\u201d da \u201cenergia\u201d el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Essa distribui\u00e7\u00e3o por toda a Cuiab\u00e1, entendam por Cuiab\u00e1 e V\u00e1rzea Grande, esta que era mais um gostoso meio rural cuiabano. A cidade mesmo fervilhava no porto onde tudo come\u00e7ou e que o Joel Bulh\u00f5es me prometeu de joelhos, recentemente, numa locadora de v\u00eddeos, que me daria informes sobre os famosos becos, ruas, casas, fam\u00edlias daquele bairro hist\u00f3rico e&#8230; Continuo aguardando!<\/p>\n<p>Do porto, Cuiab\u00e1 terminava no \u201cbairro da Mandioca\u201d, Pra\u00e7a Conde de Azambuja e a menor, a meu ver, rua de Cuiab\u00e1 e que muitos historiadores teimam em olvidar, que \u00e9 a rua Governador Rondon que fora chefe do executivo mato-grossense, 2\u00ba Vice-Governador, Jos\u00e9 da Silva Rondon, comerciante e pecuarista e que administrou o nosso Estado por dois meses e cinco dias, de 01\/04\/1891 \u00e0 06\/06\/1891.<\/p>\n<p>Portanto, nada a ver com o nosso her\u00f3i sertanista mimoseano Mal. C\u00e2ndido Rondon. Essa rua come\u00e7a na Pra\u00e7a Conde de Azambuja, bairro da Mandioca, e termina na avenida Mato Grosso, uns cem metros, mais ou menos. S\u00f3.<\/p>\n<p>Mas, dizia, por causa dessa \u201ccasinha da EFLA\u201d, a \u00fanica que se via de quase todo lugar de Cuiab\u00e1, aquele morro onde hoje est\u00e1 a EMBRATEL e a CEMAT, que, por sinal era um mato s\u00f3, intercalado por picadas escorregadias por causa de tantos pedregulhos, sempre fora conhecido por \u201cmorro da luz\u201d.<\/p>\n<p>O engra\u00e7ado \u00e9 que naqueles labirintos de nossa inf\u00e2ncia, para se chegar at\u00e9 aquela casinha da luz da EFLA (hoje CEMAT), havia v\u00e1rios muros de taipa socada e de pedras cangas, vermelhas, gastas pelos tempos&#8230;<\/p>\n<p>Havia, tamb\u00e9m, ru\u00ednas de antigas constru\u00e7\u00f5es, demonstrando que por ali houvera casas que abrigaram muita gente que ficou no infinito do esquecimento hist\u00f3rico. Aos poucos, tais muros de taipa socada e de pedras cangas foram desaparecendo e at\u00e9 os pedregulhos escorregadios \u2013 nem sei como havia, nasciam, \u00e1rvores, mato demais, cerrado, por ali -, as frutas, as galinhas que tanto ador\u00e1vamos para os quitutes de nossa inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>De vez em quando, alguns roncos, gritos de porcos que metia um medo danado na crian\u00e7ada da \u00e9poca. Por sorte, havia aqueles muros que eram mais altos e resistentes do que as nossas fr\u00e1geis moitas de \u201cs\u00e3o caetano\u201d de nosso cerrado no \u201cmorro da luz\u201d.<\/p>\n<p>L\u00e1 de cima, a conquista. V\u00edamos a cidade inteirinha. Do porto, mund\u00e9u, Ribeir\u00e3o do Lipa, bairro da mandioca.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, um mist\u00e9rio. Nunca soubemos o que ficava, o que existia do outro lado do morro. Era um mato infinito que ia at\u00e9 onde a vista alcan\u00e7ava. Mas, ouv\u00edamos, ao longe, o rufar de tambores, o c\u00e2ntico afro-brasileiro, sab\u00edamos da exist\u00eancia do mais famoso conjunto desta terra, formado pela \u201cTurma do Morro\u201d que tanto sucesso fez na R\u00e1dio A Voz d\u2019Oeste, da Lili e do Roberto Brunini.<\/p>\n<p>Era a \u00fanica e luxuosa emissora de R\u00e1dio de Cuiab\u00e1. No tempo de ouro da radiofonia brasileira. Do luxo dos espet\u00e1culos quando R\u00e1dio era R\u00e1dio e n\u00e3o apenas esse vel\u00f3rio terminado e sepultado, p\u00falpito das quarenta e sete seitas religiosas que gritam em nossos ouvidos, dia e noite, burlando as normas da ANATEL, desobedecendo as mais b\u00e1sicas normas jur\u00eddicas de nossa soberania nacional que s\u00e3o a obrigatoriedade de ser Radialista e n\u00e3o pastor gritante, folha corrida na pol\u00edcia, passar por licita\u00e7\u00f5es, investir numa emissora, e ofertar entretenimento, enfim, todas aquelas cl\u00e1usulas obrigat\u00f3rias que o cerrado de Bras\u00edlia finge desconhecer, fazendo vistas grossas em troco de caixas dois para as pol\u00edticas de nossa terra, pois, todo mundo est\u00e1 gago em saber que o que mais lucro oferece no Brasil s\u00e3o, al\u00e9m dos rombos, roubos p\u00fablicos, s\u00e3o os jogos, cassinos e as seitas religiosas!<\/p>\n<p>Mas, nunca fomos al\u00e9m do \u201cmorro da luz\u201d. At\u00e9 o menino, nosso amigo de inf\u00e2ncia, Carlos Gomes Bezerra, hoje senador de \u201cnossa\u201d Rep\u00fablica, se atreveu a descobrir o que havia atr\u00e1s do \u201cmorro da luz\u201d.<\/p>\n<p>Uns, diziam que era a cidade de S\u00e3o Paulo. Outros, que logo ap\u00f3s o \u201cmorro da luz\u201d, havia a imensid\u00e3o de um mar&#8230; Chegamos a pensar que al\u00e9m do \u201cmorro da luz\u201d havia um dos maiores precip\u00edcios do mundo! Como era doce a imagina\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>Quase quis rever S\u00e3o Paulo, aos 11 anos, tentando ir al\u00e9m daquele nosso \u201cmorro da luz\u201d&#8230; \u00c9 que as picadas existentes at\u00e9 o Coxip\u00f3 da Ponte eram atrav\u00e9s do Mund\u00e9u (rua Gal. Mello) e n\u00e3o consegu\u00edamos unir a b\u00fassola de nossa criancice. \u00c9 claro que outras picadas tamb\u00e9m levavam at\u00e9 o Coxip\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>A pior coisa que pode acontecer com uma crian\u00e7a \u00e9 a briga com a namorada que faz com que nem sintamos o ferro do fog\u00e3o \u00e0 lenha queimar nossos cotovelos, a descoberta de que Papai Noel n\u00e3o existe e que alguns sonhos tamb\u00e9m nunca existem mesmo.<\/p>\n<p>Descobrir que atr\u00e1s do \u201cmorro da luz\u201d \u00e9 apenas o roteiro do lend\u00e1rio Coxip\u00f3 de nossos sonhos tamb\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 mar algum e nem \u00e9 S\u00e3o Paulo, d\u00f3i p\u2019r\u00e1 caramba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO ZAVIASKY Os mist\u00e9rios do Morro da Luz O \u201cMorro da luz\u201d era assim chamado por causa da \u00fanica e pequenina \u201ccasinha\u201d, comprida, parecendo de dois andares, por causa da altura de quase oito metros e suas janelinhas bem l\u00e1 em cima. 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