{"id":676,"date":"2017-03-09T07:12:39","date_gmt":"2017-03-09T11:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/?p=676"},"modified":"2017-03-09T07:12:39","modified_gmt":"2017-03-09T11:12:39","slug":"teste-galery-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/riodacasca.com.br\/wd\/2017\/03\/09\/teste-galery-2\/","title":{"rendered":"O Quilombo do Quariter\u00ea"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"Titulo\">O Quilombo do Quariter\u00ea<\/h2>\n<p><span class=\"educa1\">Este texto \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o do Professor Jo\u00e3o de Medeiros Alves ao HISTORIANET<\/span><\/p>\n<p>Como marco oficial, a Hist\u00f3ria de Mato Grosso iniciou-se, em 1719, nas margens do rio Coxip\u00f3-Mirim, com a descoberta de ouro pelos homens que acompanhavam o bandeirante Pascoal Moreira Cabral.<br \/>\nCom o sucesso da minera\u00e7\u00e3o e a necessidade de garantir para Portugal, a posse de terras al\u00e9m Tratado de Tordesilhas, foi criado em 1748 a Capitania de Mato Grosso, sendo a primeira capital Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade, na extremidade oeste do territ\u00f3rio colonial.<br \/>\nPara trabalhar na minera\u00e7\u00e3o, chegaram, no s\u00e9culo XVIII, em Mato Grosso, os primeiros escravos de origem africana. Como resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o, as fugas foram constantes, sendo individuais ou coletivas, formando diversos quilombos. Por ocasi\u00e3o da presen\u00e7a da capital \u00e2\u20ac\u201d Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade \u00e2\u20ac\u201d a regi\u00e3o do vale do rio Guapor\u00e9 foi onde houve maior concentra\u00e7\u00e3o dessas aldeias de escravos fugitivos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.historianet.com.br\/imagens\/conteudo\/quilombo_qui.jpg\" align=\"left\" border=\"1\" hspace=\"10\" vspace=\"5\" \/>O quilombo do Piolho ou Quariter\u00ea, no final do s\u00e9culo XVIII, localizado pr\u00f3ximo ao rio Piolho, ou Quariter\u00ea, reuniu negros nascidos na \u00c1frica e no Brasil, \u00edndios e mesti\u00e7os de negros e \u00edndios (cafuzos). Jos\u00e9 Piolho, provavelmente foi o primeiro chefe do quilombo. Depois, assumiu o poder sua esposa, Teresa.<br \/>\nFugidos da explora\u00e7\u00e3o branca, os habitantes do quilombo conviviam comunitariamente em uma fus\u00e3o de elementos culturais de origem ind\u00edgena e africana. Os homens ca\u00e7avam, lenhavam, cuidavam dos animais e conseguiam mel na mata; as mulheres preparavam os alimentos e fabricavam panelas com barro, artesanato e roupas.<br \/>\nAs dificuldades de abastecimento, principalmente de escravos, com que constantemente conviviam os habitantes da regi\u00e3o guaporeana, levou-os a organizar uma bandeira para atacar os escravos fugitivos.<br \/>\nO poder p\u00fablico, atrav\u00e9s da C\u00e2mara Municipal de Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade, e os propriet\u00e1rios de escravos patrocinaram a bandeira para destruir o quilombo e recapturar seus moradores.<br \/>\nA bandeira contendo cerca de trinta homens e comandada por Jo\u00e3o Leme de Prado, percorreu um m\u00eas de Vila Bela at\u00e9 o quilombo, e, de surpresa, atacou-o, prendendo quase a totalidade dos moradores. Alguns morreram no combate que se travou, outros fugiram.<br \/>\nOs escravos que sobreviveram foram capturados e levados para Vila Bela, sendo colocados para reconhecimento p\u00fablico, a mando do capit\u00e3o-general de Mato Grosso Lu\u00eds de Albuquerque de Melo Pereira e C\u00e1ceres e ap\u00f3s o ato de reconhecimento, os escravos foram submetidos a outros momentos de castigos, com surras, tendo parte de suas orelhas cortadas e tatuados o rosto com a letra &#8220;F&#8221; \u00e2\u20ac\u201d de Fugitivo \u00e2\u20ac\u201d feita com ferro em brasa.<br \/>\nO objetivo da repress\u00e3o era intimidar novas fugas, por\u00e9m, a vontade, o desejo e a luta pela liberdade era maior que essa humilha\u00e7\u00e3o. Tal conquista esteve presente por um bom tempo e em 1791 \u00e2\u20ac\u201d duas d\u00e9cadas ap\u00f3s a primeira \u00e2\u20ac\u201d uma segunda bandeira foi organizada para recapturar negros fugitivos e, finalmente, acabar com o quilombo do Quariter\u00ea.<br \/>\nComandada pelo alferes de drag\u00e3o, Francisco Pedro de Melo, a bandeira de 1791 continha 45 homens que destru\u00edram as edifica\u00e7\u00f5es e planta\u00e7\u00f5es do quilombo, recapturando sua popula\u00e7\u00e3o e devolvendo aos seus donos, em Vila Bela. Por\u00e9m, percebendo a inefici\u00eancia dos castigos f\u00edsicos, os escravos n\u00e3o mais foram torturados publicamente.<br \/>\nOutros quilombos na regi\u00e3o tamb\u00e9m foram destru\u00eddos, inclusive ao comando do mesmo alferes, Francisco de Melo, que assolou os quilombos de &#8220;Jo\u00e3o F\u00e9lix&#8221; e o do &#8220;Mutuca&#8221;.<br \/>\nNo local do quilombo do Piolho, ap\u00f3s sua destrui\u00e7\u00e3o a mando do capit\u00e3o-general Jo\u00e3o de Albuquerque de Melo Pereira e C\u00e1ceres, foi organizada uma aldeia \u00e2\u20ac\u201d a Aldeia da Carlota \u00e2\u20ac\u201d que visava o interesse portugu\u00eas em garantir a posse da terra num local t\u00e3o isolado. Os moradores da aldeia contavam com o apoio do governador.<br \/>\nOutros quilombos tamb\u00e9m foram organizados em terras mato-grossenses durante os s\u00e9culos XVIII e XIX, podendo ser registrados aqui, apenas para exemplificar, os quilombos &#8220;Mutuca&#8221; e &#8220;Pindaituba&#8221;, situados na Chapada dos Guimar\u00e3es, os &#8220;Sepoutuba&#8221; e &#8220;Rio Manso&#8221;, pr\u00f3ximos a Vila Maria (atual C\u00e1ceres).<br \/>\nA historiadora Elizabeth Madureira refere-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de 11 quilombos em Mato Grosso, por\u00e9m registra o pouco que ainda foi percorrido e pesquisado sobre o assunto.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<br \/>\nSIQUEIRA, Elizabeth Madureira e outras. O Processo Hist\u00f3rico de Mato Grosso. Cuiab\u00e1: Guaicurus, 1991.<br \/>\nSIQUEIRA, Elizabeth Madureira. Revivendo Mato Grosso. Cuiab\u00e1: SEDUC, 1997.<\/p>\n<p>* Jo\u00e3o de Medeiros Alves ( ajmedeiros@uol.com.br )<br \/>\nLic. e Bacharel em Hist\u00f3ria pela UFMT e mestrando em Educa\u00e7\u00e3o pela UCDB\/MS.<br \/>\nProfessor no Col\u00e9gio S\u00e3o Gon\u00e7alo e na Escola Estadual Salim Fel\u00edcio &#8212; Cuiab\u00e1\/MT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Quilombo do Quariter\u00ea Este texto \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o do Professor Jo\u00e3o de Medeiros Alves ao HISTORIANET Como marco oficial, a Hist\u00f3ria de Mato Grosso iniciou-se, em 1719, nas margens do rio Coxip\u00f3-Mirim, com a descoberta de ouro pelos homens que acompanhavam o bandeirante Pascoal Moreira Cabral. 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